Um Ponto de Convergência

Manda nudes…

Aí ele viu que você falou sobre naturismo…

… e achou normal pedir.

Há muito tempo atrás Sara gostava de um garoto. Ele era amigo do seu irmão e as redes sociais permitiram que eles começassem uma conversa amigável.

Sara era bem tímida, mas sabia como usar as palavras, tinha um certo poder de persuasão que de certa forma sempre funcionou. Ela conseguia o que queria, mas ainda era adolescente, jovem demais, não tinha tanta malícia assim.

O garoto, Marcos, era dois anos mais velho, inteligente, nerd, nem era bonito, mas tinha umas meninas atrás dele, por conta de status. Naquele determinado grupo – e apenas dentro dele – ele era destaque.

O resultado óbvio: Marcos não dava a mínima para Sara, que ficou a ver navios.

Ah… mas como em toda história, o tempo passa, e claro que o tempo passou.

Os dois são adultos e a diferença de dois anos de idade é insignificante, quase inexistente, agora são vistos como iguais. Sara é uma mulher bonita, fora dos padrões, porém bonita, bem decidida, com autonomia. Sara tem uma boa autoestima hoje em dia, é dona de si.

Numa dessas conversas em redes sociais, contou para o grupo que ela frequenta eventos naturistas (ela nem faz parte oficialmente de um grupo, mas frequenta e defende a ideologia naturista), até convidou o pessoal do grupo a participar, mas poucos se manisfestaram.

E então, num belo dia, Sara recebe uma mensagem inbox no Facebook, era Marcos, puxando assunto, para espanto e muita surpresa por parte de Sara. Claro que Sara ficou feliz com o contato – ela sempre (sempre) admirou Marcos.

Ele puxou assunto sobre o naturismo – Opa! Mais um para o time naturista!

Sara ficou feliz, seu discurso havia alcançado mais um.

Perguntou como funcionava e como faria para se controlar e ela, ingênua, deu a ideia de fazer um encontro mais entre amigos, em casa, para Marcos se acostumar a se controlar.

Foi neste momento que a pergunta cabulosa veio: “Mas vocês do grupo trocam nudes ou só pessoalmente mesmo?”

Nessa hora Sara riu. Esse deve ser o pensamento de muita gente. Mas respirou e esclareceu: “Somos um grupo naturista, claro que há nudez, mas o objetivo é o natural e não o sexual.”

“Ah, entendi. Desculpa, é que não tinha entendido bem.”
“Tudo bem, acontece…”
“Mas e você? Podemos trocar nudes, você e eu?”
“Desculpa, não entendi”
“É que estou aqui tomando banho, e fiquei com vontade de te mandar nudes. Sempre te achei tão linda.”
“Acho que não é uma boa ideia”
“Nem assim, escondido?”
“Escondido? Por que? Esposa?”
“Sim. Mas ela não vai saber. Ninguém precisa saber”
“Você saber que também sou comprometida né?”
“Vi nas fotos, mas não sabia que era sério assim”
“Pois é…”
“Mas assim escondido, rola mais adrenalina. Não acha?”
“Olha, desculpa. Não gostei disso. Você mal fala comigo e já chega pedindo nudes? Como assim? Desculpa, mas isso é ridículo!”

Depois disso, todos os pedidos de desculpa passaram pelos olhos de Sara como se entrasse num ouvido e saísse pelo outro.

Em menos de duas horas ela passou do sentimento de “se sentir querida por um amigo da adolescência” para o sentimento de “se sentir um pedaço de carne à mostra”

(Tina Chaves)
05.04.2017

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