A Arte de Contar Histórias

Fezes II

“Anotei para não me perder”

Essa foi a frase que iniciou a discussão na aula do dia 12 de março. Essa análise detalhada da frase que ecoou na sala nesta noite, demonstrou o quanto nos apegamos à técnica (em geral) na nossa vida.

O debate seguiu-se com muitas caras de interrogação e diferentes argumentos. Quantas palavras estão mudando o sentido para mim. Não que isso seja ruim, gosto de ver as coisas de diferentes ângulos, mas um amontoado de dúvidas surgem e precisamos pensar mais sobre elas.

Tina – Apenas mais um ponto de convergência

Para a aula do dia 19/03/2015 – A Arte de Contar Histórias

Técnica versus experiência. Ter ou Ser?

Entendo que a técnica é importante, ela foi criada a partir de experimentos realizados anteriormente. É a nossa bagagem histórica. Imagina alguém começar a desenvolver o computador do ZERO, desconsiderando tudo que já foi experimentado, tudo que já existe? Demoraria décadas novamente para chegar aos aparelhos que temos hoje.

Nas artes vemos a mesma coisa, a técnica que é fruto de experimentos já realizados nos ajuda a criar novos experimentos e experiências sem precisar passar por todo o processo já realizado. Vejo isso claramente no teatro.

Concordo também que estamos de certa forma “vendidos” quando vejo essa necessidade de exaltar a técnica. Em 2013 participei de um processo teatral que perdurou 3 anos. Foi um processo muito íntimo para cada ator, muito pessoal e delicado. Determinamos que este seria um espetáculo no formato arena onde os espectadores ficariam entre os atores. Vou tentar ilustrar. Imaginem uma pizza. O público seria a borda recheada; os atores seriam as marcas de corte, onde dividimos cada fatia; enquanto o espetáculo seria o recheio. Para concluir o espetáculo, recorremos ao Projeto Ademar Guerra e fomos  convidados para a Mostra Final, última apresentação da Mostra. A felicidade tomou conta de todos até que, no dia da apresentação, tivemos que atender um público de 300 pessoas. Foi um desastre. Uma borda muito grande tira o prazer de sentir o sabor do recheio. Aquele espetáculo não iria tocar todas aquelas pessoas, pois ele não foi concebido dessa forma. Mas o Projeto exigia atender esse público imenso. Priorizou-se TER um público grande ao invés de tentar SER uma boa experiência.

Como podem ver a digestão desta semana não seguiu seu curso comum e me fez viajar para outros lugares, gerando fezes um pouco desfiguradas.

Talvez a ideia de desconstruir que a nossa amiga Helen citou anteriormente esteja tomando-me também.

Palavras e expressões ditas nesses encontros ainda dependem da minha pausa pretendida à reflexão para fazerem mais sentido: Solidão, Devaneios, imaginação, ventura de sonhar, perder-se…

Me ajuda a olhar!”, disse Diego, nO Livro dos Abraços. E eu repito sua fala tomando-a como minha. As imagens ainda estão se formando na minha cabeça e estou perdida. O curioso é que não estou com pressa de “me achar”.

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